Pequena experiência literária

Motivados pela comemoração de dois anos do nosso bebê, meu companheiro e eu fizemos uma pequena história para registrar o momento.

Essa é uma obra de ficção muito verdadeira porque traz expressões genuínas de uma criança cheia de vida.

Texto de Alves Grapiúna, também conhecido como Papai. Ilustrações de Kaikam, alcunhada Mamãe.

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CTS: Muito mais que uma sigla

Curso CTS com professores Walter Bazzo

Ainda maravilhada com as ideias do professor Walter Bazzo, registramos o encontro com a presença do Ian e Cia, em pleno dia de sábado.

Bazzo traz uma perspectiva sobre Ciência, Tecnologia e Sociedade, que em nada se relaciona com o que a sigla CTS vem transmitir. O professor propõe superar o enfoque de área de estudo ou de disciplina, mesmo que seja necessário criar uma disciplina para introduzir os estudos em determinados espaços. A CTS de Bazzo é muito mais uma forma de ver e analisar o mundo.

Enquanto meu post fica assim incompleto – porque a vontade de escrever está maior que o tempo que tenho agora – quem quiser saber mais acessa http://www.nepet.ufsc.br/tecdev/.

Oficina de comunicação digital na FACOM: pérolas!

Oficina de comunicação digital na FACOM: pérolas!

A II oficina de comunicação digital ministrada por Moisés Costa, o Mosa, e promovida pela Produtora Junior da Facom está recheada de pérolas. Começou assim, lenta, fraquinha depois o senso de humor do palestrante foi encontrando lugar e, junto com a sua experiência sobre o tema, está tornando o encontro muito interessante e recheado de novidades. O foco inicial, em marketing de conteúdo, vem mostrar que o marketing na web supera o market tradicional na convergência de mídias e nas potencialidades quando conhece e explora as características das redes sociais.
Dentre essas pérolas, destaco uma profunda citação do Batman, algo do tipo: “não importa como sou por dentro, mas sim o que eu faço” (se é que isso é possível! rs) e os desafios que se colocam para o webwriter, em minha opinião, mostra que esse profissional tem quer ser muito melhor que um bombril, porque deve ter 1001 utilidades e não enferrujar!

consta como autoria de Clarisse Lispector, vale muito pra mim:

“Já escondi um amor com medo de perdê-lo, já perdi um amor por escondê-lo. Já segurei nas mãos de alguém por medo, já tive tanto medo, ao ponto de nem sentir minhas mãos. Já expulsei pessoas que amava de minha vida, já me arrependi por isso. Já passei noites chorando até pegar no sono, já fui dormir tão feliz, ao ponto de nem conseguir fechar os olhos. Já acreditei em amores perfeitos, já descobri que eles não existem. Já amei pessoas que me decepcionaram, já decepcionei pessoas que me amaram. Já passei horas na frente do espelho tentando descobrir quem eu sou! Já tive tanta certeza de mim, ao ponto de querer sumir… já menti e me arrependi depois, já falei a verdade e também me arrependi. Já fingi não dar importância às pessoas que amava, para mais tarde chorar quieta em meu canto. Já sorri chorando lágrimas de tristeza, já chorei de tanto rir… Já acreditei em pessoas que não valiam a pena, já deixei de acreditar nas que realmente valiam. Já tive crises de riso quando não podia. Já quebrei pratos, copos e vasos, de raiva. Já senti muita falta de alguém, mas nunca lhe disse. Já gritei quando deveria calar, já calei quando deveria gritar. Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar uns, outras vezes falei o que não pensava para magoar outros. Já fingi ser o que não sou para agradar uns, já fingi ser o que não sou para desagradar outros. Já contei piadas e mais piadas sem graça, apenas para ver um UM AMIGO FELIZ. Já inventei histórias com final feliz para dar esperança a quem precisava. Já sonhei demais, ao ponto de confundir com a realidade. Já tive medo do escuro. Já cai inúmeras vezes achando que não iria me reerguer, já me reergui inúmeras vezes achando que não cairia mais. Já liguei para quem não queria apenas para ligar para quem realmente queria. Já chamei pela mamãe no meio da noite fugindo de um pesadelo, mas ela não apareceu e foi um pesadelo maior ainda. Já chamei pessoas próximas de “AMIGO” e descobri que não eram. Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada e sempre foram e serão especiais para mim. Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre… Não me mostre o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração! Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente! Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão. Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra SEMPRE! Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer: – E daí? EU ADORO VOAR!”

Clarisse Lispector

Karikatura

Sempre gostei de desenhar e, modestamente, até que não desenho tão mal, só que nunca tive muito jeito para fazer caricaturas. Até que na última oficina de manipulação de imagens realizada ela disciplina EDC 287 na FACED, descobri que posso fazer! É como se diz por ai: ensinando se aprende…

para saber mais sobre minhas elocubrações na EDC 287, é só clicar!

Karikatura

O blog e eu: um caso de sedução

Ainda no caminho de me apropriar desse tal de blog, mantenho em minha mente as perguntas que Raquel Goulart Barreto faz para problematizar a apropriação das TIC, em especial, na área educacional: TIC para que? TIC para quem? TIC em que termos?

Aos poucos, alguns caminhos vão se configurando em minha cabeça e, no meio de tantas e tantas demandas que a vida apresenta, vou conseguindo um tempinho para mexer um pouquinho ali e um pouquinho aqui, nesse blog que está se inclinando para uma espécie de currículo livre e ilustrado.

A primeira coisa que acredito ser necessário quando lidamos com tecnologias é a sedução. A ideia de blog me deixava curiosa, mas não me seduzia. Agora, diante de uma necessidade que eu mesma criei, começo a olhar de um modo diferente. Acho que estou me deixando seduzir.

Não sei se estou certa ou errada no modo de fazer, mas sinceramente, pouco me importa isso agora. Não quero a pressão social de ser uma blogueira (pelo menos por enquanto). Nada de rotina de atualizações, nada de propagandas, nada de correr atrás de centenas de acessos. Quero viver na eventualidade de ir experimentando , inventando e descobrindo meu jeito de blogar, sem grandes pretensões, sem pressões.

Seguindo a linha de diário-currículo-livre comecei o relato de duas experiências em formação de educadores com tecnologias digitais das quais estão participando. E por ai, vamos… sedução, liberdade e experimentação esses são os termos que coloquei para mim.

O lobo do homem ao som do afoxé

Várias faixas com frases contra a violência e à favor da paz estão afixadas no percurso entre Barra e Ondina, um dos percursos de carnaval de Salvador. A palavra escrita tem força ao registrar esse querer que é de muitos de nós, mas não é todos, infelizmente.

Enquanto escrevo essas poucas linhas me tomam reminiscências do contrato social de Hobbes, do holocausto, de Maquiavel e me lateja na memória a imagem do homem caído no chão da avenida, de barriga pra baixo, olhos esbugalhados, braço torto para traz e palma da mão voltada para o céu, antes de ter seu rosto chutado por um outro, como se aquela cabeça ali estivesse desprendida de corpo, e como se aquele corpo estivesse desprendido de família, de passado, como se aquele corpo estivesse desprendido do humano. Ao som do afoxé, gritei, chorei. Tentei me conter, mas não consegui.

Ouvi: isso é carnaval! E senti uma dor enorme. Certamente não tão aguda quanto a dor que sentiu aquele homem, mas mesmo assim doeu em mim. Doeu a minha impotência, a minha fragilidade. Doeu o medo de viver em mundo no qual não podemos sair para dançar, para caminhar na avenida, para andar atrás do trio elétrico sem  temer pela vida sendo retirada pelas mãos ou pelos pés de outra pessoa.

“Atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu”, é o que canta Caetano. Eu concordo. Eu gosto de seguir o trio, mas agora, enquanto escrevo, desconfio do risco que se corre de morrer justamente seguindo o trio. E ontem eu vi que não seria uma morte sambante, literária como foi a morte do Vadinho, primeiro marido da Dona Flor. Seria uma morte grotesta e ordinária.

Paradoxalmente, o Trio levava um afoxé que falava de igualdade racial, de paz. Mas e daí? Não importava a cor da pele do homem ali caído. Assim como não me importava se ele estava na baderna ou se estava caçando confusão, como muitos fazem – infelizmente – no caminhar da avenida. O que me importa é que ele estava inerte, imóvel, ele estava indefeso quando seu rosto foi chutado como uma bola de futebol.

Mas eram pessoas ali, vitmas e agressores. “O homem é o lobo do homem” é o que diz Thomas Hobbes e lobos não parecem preocupados em ler palavras e ouvir músicas de paz, mesmo que elas se estendam por toda a avenida.