Encontros e reencontros na 68ª SBPC

O congresso da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência é um importante encontro de pesquisadores, empresários, cientistas, estudantes, professores e sociedade civil em torno de temáticas relativas à ciência e tecnologia no nosso país.

Tive a oportunidade de ir à 68ª reunião da SBPC, em Porto Seguro/Bahia, para representar o Raul Hacker Club, coletivo “culturotecno” do qual faço parte. Em companhia da amiga Jaguaraci Ramos, apresentamos algumas atividades do projeto Crianças Hackers na área conhecida como SBPC Jovem. Foi muito gratificante partilhar com professores, estudantes, crianças, mães, pais, pesquisadores e curiosos, um pouquinho do que fazemos para promover a aproximação de crianças de diversas idades aos saberes relacionados às tecnologias. Uma pena que, tendo ido às próprias custas, não ficamos mais que dois dias.

Contudo, tentamos aproveitar ao máximo a nossa curta estadia. Atravessamos de balsa para distrito de Arraial D’Ajuda,   onde (re)conhecemos o Regis, fundador do primeiro hackerpace do Brasil, o Bailux. O Bailux, criado em meados de 2005, já não possui uma sede centralizada, pois persiste nas ações de seus muitos parceiros. Um belo relato sobre o “estado” Bailux foi feito por Luciana Fleishman em Cultivando labs no Bailux.

Dentre esses parceiros, está a Casa Tapuia, a morada-experiência-viva de Lúcia Porto e família. Um lindo lugar de acolhimento e de experimentações de sustentabilidade, cercada de artes humanas e artes naturais. Por todos os lados, esculturas de autoria do artista plástico Rizzo, dispersas em cada canto da morada, desvelando fases de criação bastante singulares. Formas humanas erigidas em ferro e cimento sinalizam belezas das relações humanas, a aproximação com os bichos e a presença das tecnologias. Internamente, a casa, exibe na sua rústicidade a complexidade das coisas simples. Ali encontramos pisos feitos à mão, cravados de formas geométricas e bolinhas de gude, além de variadas obras de arte de artistas da região.

Na cozinha, o fogão a lenha divide espaço com o fogão à gás. Nos alimentamos de pão caseiro, feito com produtos da própria horta. Lúcia, que é arquiteta de formação, se tornou  uma arquiteta da vida colocando seus pés em diversas áreas. Lúcia Porto é uma centopéia criativa, com pés na permabultura, com suas hortas e tetos verdes; na gastrônomia, com suas comidas orgânicas e inventivas, na química, mostrando-nos desodorantes caseiros que produz para uso pessoal; na hospedagem solidária, com a recepção afetuosa de pessoas que mal conhece, como eu e Jaguaraci. Na verdade, essa hospedagem foi muito mais que solidária. Jaguaraci e eu fomos convidadas a conhecer Malu e Pente e família, que são vizinhos e amigos. Caldinho de feijão, carne de sol, um papo muito interessante, em volta de uma gostosa fogueira. Ali fizemos uma foto inaugural do que chamei de clube de amigos do Regis, encontro que foi potencializado pelo movimento bailux.

Para saber mais sobre a Casa Tapuia, essa é uma bela postagem Alinhando sonhos no Bailux

Outro grupo parceiro Bailux mantém a Varanda Cultural Pataxó, local que não pudemos visitar dessa vez, diante da correria (ver mais em A VARANDA CULTURAL E PINTURAS). Porém, na busca pelos interlocutores locais, troquei um rápido olhar com Arnã, Pataxó de Aldeia Velha em Arraial D´Ajuda,  com quem espero me encontrar em breve para aprender sobre tecnologias e saberes tradicionais. Segui para a SBPC Indígena, área destinada à discussão de temáticas relativas à ciência e aos direitos indígenas. Ali, no conjunto de auditórios Kijeme, construídos especialmente para sediar a SBPC Indígena, tive a grata surpresa de encontrar o Prof. Ubiraci Pataxó que, pacientemente, fez uma pintura com pigmentos de genipapo e carvão no meu braço direito. Fiquei muito emocionada. Tanto que não fiz esforço para segurar as lágrimas.

A SBPC Indígena foi registrada em vídeo com  edição do colega Aquilino Paiva, de Itabuna.

A cada traço, eu me lembrava dos momentos vividos na Educação Indígena, durante os tempos de graduação, ao lado da Profa. Ana Gomes, Henrique Gerken, Macaé Evaristo, Verônica Mendes, Augusta, Patrícia Moulin, dos colegas Maria (que hoje é do grupo “mães de Ians”), Silvia Amélia, Wilder, Carlos, dos  professores Indígenas  que nos recebiam em suas escolas, e das pessoas amigas nas áreas Pataxó e Xacriabá que nos recebiam com muito cuidado e carinho.

Nessas vivências passadas se constituiram as bases da vida presente. Felizmente, as pessoas com quem convivi me ensinaram o valor da solidariedade, do respeito à vida, à diversidade e à diferença. Me ensinaram que não sou melhor que ninguém, mas posso fazer o meu melhor pelo outro. Então, dei minha melhor vaia contra o Ministro do governo golpista, e minha voz em uníssono com todos aqueles que se posicionam contra essa artimanha politiqueira, está registrada na net, como mostrado no vídeo abaixo.

Abracei o Prof. Mario Costa, assisti à mesa de debates MOBILIZAÇÃO DA JUVENTUDE E REDES SOCIAIS, com a presença de Fábio Maline, Andréa Lapa e Maria da Glória Ghon (cujos apontamentos são angulares e inspiradores), sob coordenação do Prof. Nelson Pretto, que aliás, tem uma postagem com vários acontecidos na SBPC. Leia clicando aqui!

Ao final de dois dias, fomos embora, Jaguaraci e eu, nos despedindo ao som de músicas afro, na programação da SBPC Cultural coordenada pelo amado prof. Sérgio Faria.

Se fiz tudo que queria? Não! Vou voltar! Quero e preciso Bailuxzar um pouco mais por aquelas bandas da nossa Bahia…

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